A Prefeitura que eu quero

A Prefeitura do Rio de Janeiro tem dado muitas explicações, em relação à última enchente, como “chuvas atípicas”, fatalidade, etc.. Também tem se preocupado em instruir a população sobre como se comportar antes de durante os inevitáveis temporais que têm ocorrido cada vez com maior frequência, o que não deixa de ser válido. Mas tenho sentido falta de ações necessárias, da própria Prefeitura, no sentido de evitar, ou mesmo minimizar, a tragédia ocasionada por estas inundações e deslizamentos. Gostaria de ver obras de contenção de encostas nas áreas de risco, construção de mais reservatórios subterrâneos de águas pluviais (“piscinões), utilização de revestimentos permeáveis em ruas e calçadas para evitar que fiquem alagados, projetos de urbanização que leva em conta o escoamento nas águas de chuva, além de maior fiscalização e combate às obras irregulares. Essa é a Prefeitura que eu quero.

Tragédia anunciada


Há apenas três dias publiquei um texto, por ocasião da enchente que assolou várias áreas do Rio de Janeiro. Coloquei como uma das causas as construções irregulares, uma vez que produzem verdadeiros tamponamentos em terrenos anteriormente permeáveis, além de interferir diretamente no escoamento das águas.
Hoje em nova tragédia ocorrida na comunidade da Muzema, na zona oeste de nossa cidade, dois prédios construídos irregularmente desmoronaram, causando mortos e feridos. Segundo informações da prefeitura, já havia sido entregue notificação para interdição da referida obra. Porém, alguns pontos da região, onde se localiza esta comunidade, são comandados por milícias que “autorizaram” e “protegeram” a obra ilegal. Sendo assim, a construção desprovida de qualquer controle, ou mesmo preocupação, em relação à segurança, aumenta enormemente a chance de se tornar uma tragédia anunciada. Por outro lado, o governo municipal se demonstra impotente, perante este poder paralelo das milícias, por não conseguir impedir esse tipo de acontecimento.
Isto posto, permanece a dúvida:
Até quando ficaremos reféns da marginalidade e assistindo a inoperância do governo para deter este tipo de situação?

Trem ou ônibus?

Hoje completam 100 dias de governo do Wilson Witzel.
Na sua campanha, prometeu a substituição dos ônibus BRT por trens modelo VLT, mas não o vi tocar mais no assunto.
Penso que seria um grande passo para o início de modernização no transporte público em nossa cidade. O VLT transporta muito mais gente, com energia limpa e não poluente, além de já ter as baias e terminais que podem ser aproveitados.Enquanto isso, na Zona Oeste, os ônibus BRT estão sucateados, levam desconforto e até risco para os passageiros. Já chegou, inclusive, ao extremo de um deles soltar uma roda enquanto trafegava. Um dia peguei um desses ônibus BRT do aeroporto até a estação da Alvorada. Seria cômico, se não fosse trágico, quando li no muro de uma casa no trajeto: “Uns têm conforto, outros tem BRT”. Transporte de massa é transporte sobre trilhos. Enquanto o mundo civilizado investe em trens e metrôs, velozes e confortáveis, aqui no Brasil ainda insistem em transporte sobre rodas…

Chuvas

Mais um temporal, mais inundações, mais mortes.
Esta história sem fim sempre cai na conta de tragédias da natureza.
Será? Será que não tem solução? Será que estas situações serão classificadas eternamente como imprevisíveis e insolúveis?
A cidade do Rio de Janeiro fica localizada em uma planície cercada de morros e montanhas, portanto, um cenário propício para deslizamentos e enchentes. Até entendo que na urbanização desta cidade não foi criado um sistema eficaz de escoamento das águas da chuva. Porém, isso não significa que não se possa realizar investimentos em ações preventivas nas áreas de risco de deslizamento ou inundações, além de projetos de urbanização que levem em conta a geografia da cidade. No ano passado, o município gastou apenas 66,2 milhões de reais para tentar evitar este problema recorrente (57,3% do previsto no orçamento para controle de enchentes e 78% menor do que o gasto em 2014). Também há falta de fiscalização nas áreas em que ocorrem construções irregulares, onde anteriormente havia vegetações e o solo era permeável, provocando um verdadeiro tamponamento do terreno e com impacto direto na falta de escoamento das águas.
Enfim, até quando teremos que conviver com esse caos decorrente do descaso e ineficácia do poder público?
Enquanto isso, assistimos o Rio de Janeiro entregue à própria sorte e ficamos torcendo para não chover …