A Prefeitura que eu quero

A Prefeitura do Rio de Janeiro tem dado muitas explicações, em relação à última enchente, como “chuvas atípicas”, fatalidade, etc.. Também tem se preocupado em instruir a população sobre como se comportar antes de durante os inevitáveis temporais que têm ocorrido cada vez com maior frequência, o que não deixa de ser válido. Mas tenho sentido falta de ações necessárias, da própria Prefeitura, no sentido de evitar, ou mesmo minimizar, a tragédia ocasionada por estas inundações e deslizamentos. Gostaria de ver obras de contenção de encostas nas áreas de risco, construção de mais reservatórios subterrâneos de águas pluviais (“piscinões), utilização de revestimentos permeáveis em ruas e calçadas para evitar que fiquem alagados, projetos de urbanização que leva em conta o escoamento nas águas de chuva, além de maior fiscalização e combate às obras irregulares. Essa é a Prefeitura que eu quero.

Conheça o seu novo colaborador: o paciente

Quando estamos à frente da gestão de uma Unidade de Saúde, principalmente quando já há algum tempo, temos a tendência em acreditar que conhecemos cada detalhe de cada processo empregado. Entendemos as facilidades e dificuldades na implementação de cada movimento. Acreditamos na adequação de cada rotina estabelecida. Afinal, tudo foi meticulosamente estudado e discutido com uma equipe na qual confiamos.

Entretanto, devemos compreender que estas unidades funcionam como verdadeiros “organismos vivos”, onde há necessidade de constantes reavaliações e eventuais redirecionamentos. Não raro há alterações de demandas, que causam desalinho com o planejamento anterior. Estas mudanças podem ser tanto quantitativas, como as observadas, por exemplo, em um período de “ramp-up” de uma estrutura nova, quanto qualitativos quando há modificações no perfil da população que procura atendimento.

Contudo, percebo que falta, em grande parte dos Serviços, a contribuição de um olhar extremamente difícil de ser praticado pelos profissionais no exercício da sua função, quando precisamos criar novo processo. A visão de nosso cliente final: o paciente. Este tem uma observação mais holística dos cuidados que lhe são oferecidos, diferente de uma percepção mais segmentar dos profissionais que lhe prestam serviços.

Em uma revisão sistemática canadense, que envolveu 48 estudos realizados em diversos países, a Dra. Yvonne Bombard (PhD, BSc e pesquisadora no Hospital Saint Michael) constatou que envolver os pacientes no redesenho de Serviços de Saúde traz maior eficiência e eficácia nos cuidados, além de uma redução nas internações hospitalares. Ainda neste estudo, ficou constatado que quanto maior o envolvimento dos pacientes na criação de processos, melhor o nível de resultados.

Não quero, com isso desmerecer os Serviços de Ouvidoria. Entendo que são fundamentais dentro de unidades de saúde e precisam ter um vínculo direto e exclusivo com o diretor geral. Esta atividade é importante na detecção de eventuais falhas de processo, bem como nos municia com sugestões que podem ser utilizadas na formulação de novas estratégias.

Porém, se a intenção for desenhar, ou mesmo redesenhar, uma linha de cuidados, penso que o engajamento de pacientes deva ser maior. Evidentemente, em um primeiro momento, pode surgir neles um sentimento de desconfiança. Nestes casos, é essencial deixar clara a importância de suas opiniões na discussão de modelos de ação. Mas esta participação não deve ser, como vemos em alguns locais, de maneira “ad hoc”. O paciente deve participar de todas as etapas do processo, desde o início até a ambiência, de forma clara e transparente. Assim, poderá compreender melhor eventuais impossibilidades, ou mesmo resultados aparentemente não estão adequados, para que sua colaboração tem a maior efetividade. Esta maior participação lhes proporcionará maior motivação e confiança para externarem suas ideias.

Por fim, entendo que o envolvimento efetivo do paciente com a equipe de trabalho na elaboração de um planejamento estratégico, bem como a flexibilização de paradigmas, é fundamental para o aprimoramento de Serviços de Saúde.

Tragédia anunciada


Há apenas três dias publiquei um texto, por ocasião da enchente que assolou várias áreas do Rio de Janeiro. Coloquei como uma das causas as construções irregulares, uma vez que produzem verdadeiros tamponamentos em terrenos anteriormente permeáveis, além de interferir diretamente no escoamento das águas.
Hoje em nova tragédia ocorrida na comunidade da Muzema, na zona oeste de nossa cidade, dois prédios construídos irregularmente desmoronaram, causando mortos e feridos. Segundo informações da prefeitura, já havia sido entregue notificação para interdição da referida obra. Porém, alguns pontos da região, onde se localiza esta comunidade, são comandados por milícias que “autorizaram” e “protegeram” a obra ilegal. Sendo assim, a construção desprovida de qualquer controle, ou mesmo preocupação, em relação à segurança, aumenta enormemente a chance de se tornar uma tragédia anunciada. Por outro lado, o governo municipal se demonstra impotente, perante este poder paralelo das milícias, por não conseguir impedir esse tipo de acontecimento.
Isto posto, permanece a dúvida:
Até quando ficaremos reféns da marginalidade e assistindo a inoperância do governo para deter este tipo de situação?

Trem ou ônibus?

Hoje completam 100 dias de governo do Wilson Witzel.
Na sua campanha, prometeu a substituição dos ônibus BRT por trens modelo VLT, mas não o vi tocar mais no assunto.
Penso que seria um grande passo para o início de modernização no transporte público em nossa cidade. O VLT transporta muito mais gente, com energia limpa e não poluente, além de já ter as baias e terminais que podem ser aproveitados.Enquanto isso, na Zona Oeste, os ônibus BRT estão sucateados, levam desconforto e até risco para os passageiros. Já chegou, inclusive, ao extremo de um deles soltar uma roda enquanto trafegava. Um dia peguei um desses ônibus BRT do aeroporto até a estação da Alvorada. Seria cômico, se não fosse trágico, quando li no muro de uma casa no trajeto: “Uns têm conforto, outros tem BRT”. Transporte de massa é transporte sobre trilhos. Enquanto o mundo civilizado investe em trens e metrôs, velozes e confortáveis, aqui no Brasil ainda insistem em transporte sobre rodas…

Chuvas

Mais um temporal, mais inundações, mais mortes.
Esta história sem fim sempre cai na conta de tragédias da natureza.
Será? Será que não tem solução? Será que estas situações serão classificadas eternamente como imprevisíveis e insolúveis?
A cidade do Rio de Janeiro fica localizada em uma planície cercada de morros e montanhas, portanto, um cenário propício para deslizamentos e enchentes. Até entendo que na urbanização desta cidade não foi criado um sistema eficaz de escoamento das águas da chuva. Porém, isso não significa que não se possa realizar investimentos em ações preventivas nas áreas de risco de deslizamento ou inundações, além de projetos de urbanização que levem em conta a geografia da cidade. No ano passado, o município gastou apenas 66,2 milhões de reais para tentar evitar este problema recorrente (57,3% do previsto no orçamento para controle de enchentes e 78% menor do que o gasto em 2014). Também há falta de fiscalização nas áreas em que ocorrem construções irregulares, onde anteriormente havia vegetações e o solo era permeável, provocando um verdadeiro tamponamento do terreno e com impacto direto na falta de escoamento das águas.
Enfim, até quando teremos que conviver com esse caos decorrente do descaso e ineficácia do poder público?
Enquanto isso, assistimos o Rio de Janeiro entregue à própria sorte e ficamos torcendo para não chover …

Novo Ministro da Educação

Abraham Weintraub

Confesso ter ficado um pouco decepcionado com a nomeação do novo Ministro da Educação, pois esperava uma indicação técnica. Com essa atitude, Bolsonaro reafirma seu propósito de priorizar neste ministério o combate às ideologias anteriormente praticadas, além de também ficar claro a forte influência do Olavo de Carvalho no atual governo. O economista e professor Abraham Weintraub se notabilizou mais em seu histórico por ações e declarações polêmicas, enquanto sua produção acadêmica foi apenas discreta.
Entendo o Ministério da Educação como uma das grandes prioridades nacionais e espero que não se apequene em uma restrita cruzada ideológica. Necessitamos de ampla discussão e reestruturação do Ensino em nosso país. Com o enorme potencial que temos, anseio e torço para que o novo Ministro da Educação cumpra seu papel e faça uma excelente gestão.

Fundo partidário

Vocês sabem que todos os partidos políticos recebem fundo partidário proveniente de dinheiro público?
Isso quer dizer que todos nós financiamos campanhas de todos os partidos, concordando ou não com suas propostas.
Atualmente, por regulamento, nenhum partido pode devolver este dinheiro que poderia, e deveria, ser investido em Educação, Saúde, Segurança Pública, etc.
Se concordar que os Partidos devem ter a liberdade de devolver esse fundo partidário, você pode assinar a petição abaixo.

Liberdade para devolver