O Que é uma UTI ?

Conversa com a Dr. Rosane Goldwasser, médica intensivista com título de especialista pela Associação de Medicina Brasileira, atualmente coordena grupo de gestão e qualidade. Doutora em Medicina pela UFRJ e médica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ. Abordagem de temas sobre “como são as pessoas que trabalham em uma UTI? Como funciona e como é essa dinâmica?”

SEGURANÇA DO TRABALHO 17

FRASE DA SEMANA:

Quanto maior a mentira, maior a chance de todos acreditarem nela.” (Adolf Hitler)

O QUE É INSALUBRIDADE?

            Tratando-se de questões laborais, a insalubridade tem a ver com as doenças causadas aos funcionários que ficam expostos a condições nocivas por conta de sua atividade.

Tais condições podem oferecer riscos em curto prazo — como no caso dos trabalhos em indústrias metalúrgicas e mecânicas — ou em longo prazo — como quando o trabalhador tem contato contínuo com radioatividade.

No post de hoje, saiba mais sobre o que é insalubridade, suas condições de trabalho e como a lei é utilizada nesses casos:

O QUE É UMA ATIVIDADE INSALUBRE?

Atividades insalubres são aquelas em que os trabalhadores são expostos à agentes prejudiciais à saúde em quantidade acima do que são permitidas por lei.

São consideradas atividades ou operações insalubres as que se desenvolvem (Norma Regulamentadora 15):

  • Acima dos limites de tolerância previstos nos anexos da NR-15 (Limites de Tolerância para Ruído Contínuo ou Intermitente; para Ruídos de Impacto; para Exposição ao Calor; para Radiações Ionizantes; Agentes Químicos cuja Insalubridade é caracterizada por Limite de Tolerância e Inspeção no Local de Trabalho; e Limites de Tolerância para Poeiras Minerais);
  • No trabalho sob Condições Hiperbáricas, com Agentes Químicos e Agentes Biológicos;
  • Comprovadas através de laudo de inspeção do local de trabalho, relacionadas a Radiações Não Ionizantes, Vibrações, Frio e Umidade.

QUAIS OS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS A QUEM SE EXPÔE A CONDIÇÕES INSALUBRES?

Muitos não sabem, mas há leis que protegem os trabalhadores nessas condições. As leis brasileiras sobre o trabalho preveem o pagamento de adicional sobre o salário mínimo vigente caso seja constatado que o trabalhador desenvolve suas atividades em ambientes insalubres.

É importante salientar que cada tipo de risco informado na norma será avaliado com rigor através de medidas específicas constantes na Norma Regulamentadora 15.

O valor pago pela insalubridade pode variar de acordo com o grau estabelecido pela Lei, que pode ser o pagamento de 10% para o grau mínimo, 20% para o grau médio e 40% para o máximo.

A classificação quanto a insalubridade fica caracterizada de acordo com o Ministério do Trabalho, que designa um perito, médico ou engenheiro que fará a análise das condições de ofício. Esses profissionais devem ser devidamente registrados em seus respectivos Conselhos.

É importante que toda empresa informe a seus empregados sobre o que é insalubridade e, principalmente, que esteja atenta quanto às condições de trabalho e benefícios deles. Caso algum trabalhador exerça atividades insalubres, sua empresa tem o dever de buscar amenizar os riscos dessa atividade com o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual, bem como fornecendo treinamentos periódicos.

Isso ajuda a preservar a saúde dos colaboradores e, por consequência, evita-se prejuízos devido a cobrança de multas e outras despesas de ordem judicial.

ATIVIDADE INSALUBRE – CARACTERIZAÇÃO

ADICIONAL DE INSALUBRIDADE

O exercício de trabalho em condições de insalubridade assegura ao trabalhador a percepção de adicional, incidente sobre o salário base do empregado (súmula 228 do TST – ver nota STF), ou previsão mais benéfica em Convenção Coletiva de Trabalho, equivalente a:

– 40% (quarenta por cento), para insalubridade de grau máximo;

– 20% (vinte por cento), para insalubridade de grau médio;

– 10% (dez por cento), para insalubridade de grau mínimo.

São consideradas atividades ou operações insalubres as que se desenvolvem: 

 – acima dos limites de tolerância previstos nos anexos à NR-15 de números:

1 (Limites de Tolerância para Ruído Contínuo ou Intermitente);

2 (Limites de Tolerância para Ruídos de Impacto);

3 (Limites de Tolerância para Exposição ao Calor);

5 (Limites de Tolerância para Radiações Ionizantes);

11 (Agentes Químicos cuja Insalubridade é caracterizada por Limite de Tolerância e Inspeção no Local de Trabalho);

12 (Limites de Tolerância para Poeiras Minerais). 

 – nas atividades mencionadas nos anexos números:

6 (Trabalho sob Condições Hiperbáricas);

13 (Agentes Químicos);

14 (Agentes Biológicos). 

 – comprovadas através de laudo de inspeção do local de trabalho, constantes dos anexos números:

7 (Radiações Não Ionizantes);

8 (Vibrações);

9 (Frio);

10 (Umidade).

LIMITE DE TOLERÂNCIA

Entende-se por Limite de Tolerância a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral. 

SEGURANÇA DO TRABALHO 16

FRASE DA SEMANA:

A vida é como um quebra-cabeça. O importante não é ter todas as peças, é coloca-las no lugar certo. (Jô Soares)

AGENTES QUÍMICOS (CONTINUAÇÃO)

PNEUMOCONIOSE

Pneumoconiose é uma doença pulmonar ocupacional com padrão restritivo causada pela inalação de poeiras inorgânicas, geralmente associada a trabalho em metalúrgicas, construtoras, mecânicas ou minas.

Quais são as causas da pneumoconiose?

Existem vários tipos de pneumoconiose, sendo cada uma causada por um tipo diferente de pó mineral:

  • Asbestose: causada pelo pó de amianto, extraído de depósitos subterrâneos e utilizado em isolamentos, tetos, materiais à prova de fogo, azulejos, lonas de freio e outros produtos, afetando mineiros, trabalhadores da construção civil ou naval, etc.
  • Silicose: afeta as pessoas que trabalham com sílica, tais como mineiros, construtores de túnel, trabalhadores em pedreiras, trabalhadores de fundição e aqueles que trabalham com cerâmica ou vidro.
  • Antracose: pneumoconiose dos mineiros de carvão, que afeta as pessoas que inalam partículas de carbono a partir do carvão ou grafite;
  • Pneumoconiose do talco: devida à exposição a pó de talco, geralmente durante a mineração ou moagem do produto.
  • Pneumoconiose pelo caulim: causada pela inalação do pó de caulim, um ingrediente utilizado no fabrico de cerâmica, papel, cosméticos, medicamentos e pasta de dente. Também afeta os trabalhadores das minas de extração e moagem do caulim.
  • Siderose: também conhecida como pulmão de prata, própria do soldador e do polidor, é causada pela inalação de partículas de ferro.
  • Outras pneumoconioses menos frequentes podem ser causadas pela inalação de sulfato de bário, óxido de estanho, compostos contendo metais duros, como tungstênio e cobalto ou por outras formas de pó mineral (bauxita, cinzas de vulcão, etc.).

Quais são os principais sinais e sintomas da pneumoconiose?

Por vezes, a pneumoconiose pode não causar sintomas, sobretudo quando incipiente. Quando os sintomas se desenvolvem, podem incluir tosse produtiva ou seca, chiado no peito e falta de ar durante o exercício. Se a pneumoconiose provoca fibrose pulmonar grave, a respiração pode se tornar extremamente difícil. Quando isso acontece, os lábios e as unhas do paciente podem ficar com uma coloração azulada. Na doença muito avançada, pode haver também sinais de inchaço nas pernas, de origem cardíaca.

Como o médico diagnostica a pneumoconiose?

O diagnóstico de pneumoconiose deve partir do histórico de exposição a poeiras minerais e do tempo durante o qual a pessoa esteve exposta. O médico irá pedir uma radiografia de tórax, testes de função pulmonar e tomografia computadorizada. Menos frequentemente, pedirá uma broncoscopia com biópsia pulmonar.

Como o médico trata a pneumoconiose?

O médico poderá prescrever medicamentos inalados que ajudem a diminuir a inflamação das vias respiratórias e a manter seus brônquios dilatados. Para proteger os pulmões danificados contra infecções respiratórias os pacientes devem tomar vacinas contra a gripe e pneumonia.

Em caso em que o paciente tenha contraído alguma infecção respiratória, pode precisar tomar antibióticos. Se a respiração estiver muito deficiente o paciente pode precisar de oxigenação suplementar. Se a pneumoconiose provocar problemas respiratórios extremos, um transplante de pulmão pode ser necessário e representa a única possibilidade de cura.

Como prevenir a pneumoconiose?

A pneumoconiose quase sempre pode ser evitada, reduzindo a exposição às poeiras minerais e usando equipamentos adequados de proteção. O tabagismo piora os efeitos nocivos da pneumoconiose e, por isso, deve ser evitado.

Como evolui a pneumoconiose?

As perspectivas para esta doença dependem do tipo específico de pneumoconiose, da duração da exposição, do nível de exposição aos agentes causadores e do fato do paciente ser fumante ou não.

As alterações pulmonares causadas pela pneumoconiose e já estabelecidas são permanentes, mas, no entanto, é possível evitar que se agravem. Como os homens preenchem a quase totalidade dos postos de trabalho de risco, a pneumoconiose é bem mais frequente em homens do que em mulheres.

Quais são as complicações possíveis da pneumoconiose? Na fase inicial da doença, os doentes podem não enfrentar muitos problemas, mas, gradualmente, desenvolvem muitas complicações que podem causar fibrose pulmonar e expansão do lado direito do coração, o que pode levar a insuficiência cardíaca. As pessoas com pneumoconiose (sobretudo asbestose e pneumoconiose por talco) têm um risco muito aumentado de câncer de pulmão, principalmente aquelas que são fumantes.